Mostras e Cultura
As reconstruções faciais realizadas por Cicero Moraes ultrapassam o campo estritamente técnico e têm sido incorporadas a mostras, exposições e projetos culturais em diferentes países. Inseridos em museus, sítios arqueológicos, instituições acadêmicas e contextos religiosos, esses trabalhos ampliam a forma como o público se relaciona com a ciência e com a história, atuando como ferramentas de mediação entre conhecimento especializado e experiência cultural.
De Lima a Pádua, de Curitiba a Praga, de Viena a Lambayeque, as exposições que contam com sua participação evidenciam o potencial da reconstrução facial em aproximar visitantes de contextos históricos e antropológicos de maneira acessível e envolvente. Parte dessas iniciativas foi desenvolvida em colaboração direta com órgãos governamentais e instituições de patrimônio, incluindo apresentações em ministérios de Estado, projetos com institutos nacionais e eventos com a presença de autoridades de alto escalão, reforçando sua inserção em políticas públicas de cultura e preservação histórica. Em alguns casos, os trabalhos estiveram associados a sítios de relevância internacional, incluindo contextos reconhecidos como Patrimônio Mundial pela UNESCO, como o Vale de Lenggong, na Malásia, e a civilização Caral, no Peru.
Esse conjunto de experiências demonstra como a reconstrução facial, além de sua dimensão científica, assume também um papel cultural e educativo, contribuindo para a preservação de memórias, a valorização do patrimônio e o fortalecimento do diálogo entre ciência, arte e sociedade em escala internacional.
Darcy - Museu de História da Medicina
Ano: 2025
Á esquerda: Chamada para a mostra no Instagram do MUHM. Á direita: Capturas da reportagem sobre a reconstrução facial forense no SBT do Rio Grande do Sul.
Local: Museu de História da Medicina do Rio Grande do Sul.
Período: Mostra Permanente.
No ano de 2013, Cicero Moraes realizou a aproximação facial de Joaquim, um esqueleto humano real exposto no Museu de História da Medicina do Rio Grande do Sul. O trabalho foi conduzido remotamente e, meses depois, ao ser convidado para participar de um evento em Porto Alegre (RS), o designer aproveitou a oportunidade para visitar as dependências do museu.
Durante a visita, foi-lhe apresentado um crânio do acervo, posteriormente digitalizado. Já naquela época, Moraes observou que a região craniana parecia menor do que a média esperada para a idade. Os estudos iniciais para a determinação do sexo foram inconclusivos, motivo pelo qual o crânio recebeu o nome Darcy, escolhido por ser aplicável a indivíduos de ambos os sexos.
Anos mais tarde, Moraes iniciou um estudo voltado à avaliação da volumetria cerebral em adultos e decidiu retomar as análises do crânio de Darcy, desta vez com o auxílio de um especialista na área forense. O novo exame indicou tratar-se de um indivíduo do sexo masculino e a estimativa do volume cerebral revelou valores inferiores a dois desvios padrão abaixo do esperado, o que sugere um possível caso brando de microcefalia.
Dessa forma, a aproximação facial realizada tornou-se a primeira, em âmbito mundial, de um indivíduo com microcefalia. A imagem resultante encontra-se atualmente exposta ao lado do crânio, acompanhada de dados preliminares do estudo em questão, que propõe uma nova abordagem para a mensuração indireta do volume cerebral, denominada “medida tripla”.
A pesquisa recebeu cobertura da mídia local, tendo sido divulgada no site oficial do Museu de História da Medicina do Rio Grande do Sul (MUHM), além de reportagens veiculadas pelo SBT RS, pelo jornal Zero Hora, o G1 de Mato Grosso e pela revista Aventuras na História.
Venceslau I da Bohemia
Ano: 2025
Artigo revisado por pares sobre a aproximação facial do crânio atribuído a Venceslau I (acima). Cicero Moraes na cobertura da Catedral de Sâo Vito, recebendo uma telha de presente em 2018 (abaixo à esquerda). Moraes ao centro, com os co-autores Jiří Šindelář e Jan Frolik, em frente a Catedral de São Vito em 2018 (abaixo à direita).
No ano de 2018, Cícero Moraes viajou à República Tcheca, onde conheceu as instalações do Castelo de Praga e a Catedral de São Vito, local onde estão enterradas muitas figuras históricas do país. Ainda naquele ano, nas dependências do Ministério da Cultura, recebeu um reconhecimento da instituição por conta de seu trabalho de aproximação facial e promoção mundial da história tcheca.
De 2016 a 2025, a parceria com o agrimensor Jiří Šindelář seguiu rendendo uma série de trabalhos que se mantiveram em destaque não apenas na mídia nacional, mas na internacional, reforçando um padrão de consistência. Em 2025, um projeto buscou dar rosto ao crânio atribuído a Venceslau I, antigo duque da Boêmia e santo padroeiro da nação. Dentre os coautores, figurou a notória presença do Dr. Petr Kroupa, alto funcionário do executivo do país, que responde diretamente à presidência. O manuscrito foi submetido ao periódico acadêmico Heritage (MDPI) e passou pelo crivo de cinco revisores, sendo publicado ainda naquele ano com significativa repercussão midiática; com matérias veiculadas nos sites da Ceska Televize, National Geographic e outros.
Museo della Natura e dell’Uomo
Ano: 2024
Captura de tela do site do meuseu, visita de Moraes à mostra e título do resumo publicado.
Local: Museo della Natura de dell’Uomo, Pádua, Itália.
Período: Mostra Permanente.
Nascida da evolução do projeto Taung e da mostra FACCE, a mostra permanente de hominídeos é oferecida ao visitantes do Museu da Natureza e do Homem, da Universidade de Pádua. Trata-se de um painel tridimensional, contando com réplicas de hominídeos, apresentando ao fundo displays iluminados com as aproximações faciais e um monitor touchscreen para a consulta de dados. Ao total são 23 faces que remontam milhões de anos de história.
Em 2024 Cicero Moraes, responsável pelas aproximações, palestrou nas dependências do museu, juntamente com o Dr. Nicola Carrara, curador da mostra e Luca Bezzi, que digitalizou os crânios e também gerenciou o projeto. Ainda naquele ano durante o XXXIII Congresso Nacional da Associação Nacional de Museus Científicos (ANMS) foi apresentado e publicado o projeto da mostra permanente, com o histórico remontando desde o primeiro trabalho de 2012, até a viabilização da mostra permante.
São Adalberto de Praga
Ano: 2024 e 2025
Reunião ocorrida no Palácio do Arcebispo de Praga com o cardeal Dominik Jaroslav Duka em 2024 (superior à esquerda). Matéria acerca da aproximação facial na Ceska Televise (superior à direita). Artigo revisado por pares publicado em journal da Elsevier.
A aproximação facial de Santo Adalberto de Praga foi uma iniciativa integrou o lançamento do livro comemorativo dos 1.050 anos de fundação do Bispado de Praga (Posunuté milénium ISBN 978-80-7422-954-1) e contou com a participação do designer 3D brasileiro Cícero Moraes, do especialista em digitalização 3D Jiří Šindelář, da Arquidiocese de Praga e do arcebispo emérito, cardeal Dominik Jaroslav Duka (1943-2025), que realizou a apresentação oficial da face ao público.
O projeto foi apresentado inicialmente em uma coletiva de imprensa. Cicero Moraes, que estava na República Tcheca até um pouco antes da apresentação, participou de matérias veiculadas na Ceska Televise (matéria em vídeo, e em texto) organizada pelo Arcebispado de Praga. No Brasil o trabalho tmabém recebeu destaque da mídia religiosa, em especial o Vatican News. No livro Posunuté milénium, precisamente da página 425 a 429 a face foi apresentada como um capítulo técnico. Em 2025 um artigo revisado por pares intitulado The digital facial approximation of Saint Adalbert of Prague (AD 956–997) foi publicado no jorunal Digital Applications in Archaeology and Cultural Heritage (Elsevier).
Jan Žižka
Ano: 2024
A) Carta formal de convite a Cicero Moraes expedida pelo Museu Hussita em 2018. B) Moraes em visita ao museu, analisando um crânio do acervo (2018). C) Moraes em reunião com o prefeito da cidade de Tábor, com o diretor do museu Jakub Smrčka e com Jiri Sindelar. D) Artigo revisado por pares e publicaod no journal Heritage (2024). E) Notícia sobre a aproximação facial com imagens, publicada no perfil oficial <https://www.facebook.com/reel/560264030011019>`__ do Museu Hussita. F) Matéria veiculada na Rádio Praga, meio de comunicação oficial do estao tcheco.
No ano de 2018 Cicero Moraes visitou o Museu Hussita em Tábor (República Tcheca), a convite do diretor o Sr. Jakub Smrčka, onde parcerias futuras foram desenhadas, a primeira dela para a reconstrução de uma jovem (Ceska Televice, `aos 10:29 morta há 400 anos, encontrada na cidade. Ainda em 2021 uma outra visita foi feito, desta vez com uma reunião com o prefeito municial de Tábor. Uma nova parceria cristalizou-se em outubro de 2024, quando a aproximação facial do alegado crânio de Jan Žižka foi apresentada a partir de um preprint publicado no journal OrtogOnBlender. A notícia converteu-se em um viral nacional, sendo apresentada na comunicação oficial do estado tcheco, a Rádio Praga, além da CNN e outros meios, inclusive no Brasil, pelo site Aventuras na História.
A grande repercussão e a parceria histórica de Moraes com Jiri Sindelar e instituições tchecas incomodou especialistas nacionais de reconstrução facial, em especial especialistas da Universidade Massarik e da Academia de Ciências da República Tcheca (CAS), que compuseram uma raríssima nota institucional de crítica ao trabalho, taxando-do de anticientífico e fraudulento.
Moraes respondeu rapidamente por meio de uma refutação pública, na qual rebateu ponto a ponto as críticas da CAS. Demonstrou, entre outros aspectos, que 91% das aproximações faciais associadas a membros da própria CAS contavam com sua participação, evidenciando sua autoridade de facto no tema. Em contraste, os signatários da nota demonstravam desconhecimento sobre o processo de aproximação facial forense, embora sugerissem possuir expertise na área.
O golpe final veio com a publicação de um artigo revisado por pares sobre a reconstrução de Jan Žižka, no journal Heritage, com fator de impacto 2.0 e classificado no quartil Q1, o mais elevado no campo da arqueologia. O silêncio da CAS diante da refutação pública e da validação acadêmica tornou a derrota evidente.
Embora a intenção inicial da CAS tenha sido comprometer a reputação de Moraes e Šindelář, o efeito foi inverso. Como discutido acima (ver a seção sobre Venceslau da Bohêmia), ambos seguiram produzindo projetos de grande repercussão técnica/midiática e base acadêmica sólida, incluindo, posteriormente, a participação de um alto funcionário do executivo da República Tcheca.
Zlatý Kůň
Ano: 2023-2024
Cicero Moraes visitando a exposição no museu da caverna Koněprusy. Ao lado a captura do site oficial com a imagem da reconstrução facial.
Local: Cavernas Koněprusy, República Tcheca.
Período: Mostra Permanente.
Em 2023, a reconstrução facial do crânio de Zlatý Kůň, um fóssil humano de cerca de 45 mil anos, um dos mais antigos da Europa, alcançou enorme repercussão midiática. Realizado por Cicero Moraes e equipe, utilizando técnicas de modelagem 3D e análise forense, o trabalho revelou traços possíveis de uma mulher do Paleolítico Superior, com base em dados anatômicos detalhados.
As Cavernas Koněprusy, na República Tcheca, local onde o fóssil de Zlatý Kůň foi descoberto, incorporaram a reconstrução facial em uma exposição permanente, posicionada estrategicamente para destacar a relevância arqueológica do sítio. A mostra, que exibe a imagem reconstruída ao lado de informações sobre o contexto histórico, tem atraído visitantes interessados em explorar os primórdios da humanidade na Europa. A iniciativa combina ciência e educação, oferecendo uma experiência imersiva que conecta o público à pré-história. Além disso, os detalhes do projeto foram publicados em um artigo em um periódico revisado por pares, consolidando sua relevância científica.
De Mladeč 1 a Mlada
Ano: 2022 e 2023
Reconhecimento, display com a aproximação facial (Rep. Tcheca) e pontos de vistas.
Local: Caverna de Mladeč, República Tcheca.
Período: Mostra Permanente.
Em 2022, a reconstrução facial do crânio de Mladeč 1, um dos fósseis humanos mais antigos da Europa, com cerca de 31 mil anos, capturou a atenção global, tanto no meio de divulgação científica quanto acadêmico, figurando como uma das faces reconstruídas mais populares da outlet Live Scince. Realizada com técnicas avançadas de modelagem 3D e análise forense, a reconstrução trouxe à vida o rosto de uma mulher do Paleolítico Superior, utilizando dados anatômicos e comparações com populações modernas. O projeto, conduzido por Cicero Moraes e equipe, teve um impacto significativo, a ponto do Museu de História Natural de Viena, onde o crânio original está exposto, reconhecer a relevância científica e educativa do mesmo, mencionando-o em sua biblioteca de modelos online.
A Caverna de Mladeč, na República Tcheca, incorporou a reconstrução facial à sua narrativa arqueológica, instalando uma exposição permanente na entrada do sítio para apresentar o rosto reconstruído aos visitantes. A iniciativa reforça a importância do local como um marco da pré-história europeia e aproxima o público dessa história de forma envolvente. Para engajar ainda mais os visitantes, a caverna promoveu um concurso para nomear a figura reconstruída, tendo grande engajamento, resultando na escolha do nome “Mlada”, inspirado na região. O sucesso do projeto levou à criação de um novo concurso, que desafia participantes a criarem a melhor história sobre a vida de Mlada, estimulando a imaginação e o interesse pela arqueologia. Em 12/01/2026 o vencedor foi anunciado.
A Mulher de Skríðuklaustur
Ano: 2022
Interior do Museu de Skríðuklaustur com os dados da reconstrução facial.
No mosteiro de Skríðuklaustur, Islândia, o crânio de uma mulher do século XV ou XVI revelou marcas de sífilis terciária, reconstruído em 3D por Cícero Moraes. A face, com úlceras e traços nórdicos, expôs o sofrimento da doença e viralizou em 2022, sendo notícias em sites como Live Science e outros aoutlets, gerando debates sobre saúde e história.
O Museu de Skríðuklaustur incorporou a reconstrução em uma exposição com realidade aumentada, permitindo que visitantes vejam o rosto sobreposto ao crânio via smartphone. Um artigo revisado por pares, publicado no journal Digital Applications in Archaeology and Cultural Heritage em 2024, detalhou o processo, consolidando o projeto como referência em arqueologia e ciência forense.
Penang Woman
Ano: 2022
Apresentação da face no Guar Kepah Archaeological Gallery em matéria de TV local (acima). Artigo revisado por pares publicado no journal Applied Sciences (abaixo).
O sítio arqueológico de Guar Kepah, localizado no estado de Penang, na Malásia, é um dos mais importantes contextos pré-históricos do Sudeste Asiático, com escavações iniciadas ainda no século XIX e continuidade de pesquisas ao longo de mais de 150 anos. Entre os achados mais relevantes está o esqueleto conhecido como Penang Woman, datado de aproximadamente 5.000 anos.
A partir de tomografias computadorizadas realizadas na Universiti Sains Malaysia, foi desenvolvida a aproximação facial digital do indivíduo. O estudo foi publicado no periódico internacional Applied Sciences (MDPI), enquanto a reconstrução ganhou ampla visibilidade pública após sua divulgação. O impacto do trabalho pode ser mensurado por indicadores altmétricos: o artigo apresentou desempenho expressivo, alcançando o percentil 98 e posicionando-se entre os aproximadamente 1,22% dos trabalhos científicos mais mencionados, em um universo de mais de 32 milhões de publicações monitoradas globalmente. Além disso, a reconstrução viralizou mundialmente, sendo tema de matérias e publicações em 28 idiomas, evidenciando sua ampla difusão cultural e científica.
Neandertal de La Chapelle-aux-Saints 1
Ano: 2022-2023-2025
A) Poster disponível no catálogo da mostra (2022). B) Mostra no Ministério da Saúde do Brasil, com a região dedicada à aproximação. C) Recorte da região onde a aproximação é apresentada. D) Dr. Emilio Nuzzolese, coautor apresentando o poster no evento Abissi del Tempo (Itália). E) Imagem digital final que correu o mundo em notícias da mídia mainstream.
Local: Ministério da Saúde, Brasília (DF), Brasil.
Período: Janeiro a abril de 2022.
A exposição comemorativa dos 15 anos da Política Nacional de Plantas Medicinais e Fitoterápicos (PNPMF) foi realizada no túnel de ligação entre os edifícios Sede e Anexo do Ministério da Saúde, na Esplanada dos Ministérios, permanecendo aberta ao público por quatro meses no ano de 2022.
A aproximação facial do Neandertal integrou o início da linha do tempo da mostra, no painel dedicado às primeiras evidências do uso de plantas na Pré-história, servindo como elemento visual para contextualizar práticas medicinais ancestrais. O catálogo oficial apresentou a imagem e registrou agradecimento nominal a Cícero Moraes na seção de créditos, reconhecendo sua contribuição técnica e artística para a identidade visual da exposição.
A apresentação científica do trabalho ocorreu no Convegno Internazionale “Abissi del Tempo”, realizado em Altamura, Itália, em outubro de 2023, organizado pela Università degli Studi di Palermo com apoio do Ministério da Cultura da Itália. A partir desse evento, a reconstrução do Neandertal de La Chapelle-aux-Saints 1 alcançou ampla repercussão internacional, em veículos como Live Science, Sci News e Daily Mail, com divulgação em 23 idiomas. Em 2025 um artigo publicado no journal Earth History and Biodiversity (Elsevier), utilizou a imagem como exemplo de trabalho com embasamento técnico e anatômico.
As Faces da Caverna Areni-1
Ano: 2021-2022
Vídeo didático sobre a reconstrução facial apresentado aos visitantes no interior da carverna Areni-1, Armênia.
Local: Caverna de Ateni-1, Armênia.
Período: Mostra Permanente.
Situada em Vayots Dzor, na Armênia, a caverna de Areni-1 é um sítio arqueológico do período Calcolítico (Idade do Cobre, cerca de 6.200–3.400 a.C.). Descoberta em 2007, é famosa por abrigar o sapato de couro mais antigo do mundo (5.500 anos), a prensa de vinho mais antiga conhecida (6.100 anos) e restos humanos da cultura Kura-Araxes. Usada para rituais, armazenamento e possivelmente habitação, a caverna oferece uma janela para a vida pré-histórica, com artefatos orgânicos preservados devido às condições secas. É crucial para entender a vinificação, práticas culturais e a evolução das sociedades no Cáucaso.
O projeto de aproximação facial inicialmente revelou o rosto de um jovem de 18 anos, cujos restos foram encontrados em Areni-1, datados de cerca de 5.900 anos. Posteriormente mais dois crânio, em idade puerial passaram pelo processo. A equipe do projeto foi formada pélo arqueólogo armênio Artur Petrosyan (preparação do crânio), o fotógrafo tcheco Martin Frouz (120 imagens capturadas) o agrimensor tcheco Jiri Sindelar (digitalização 3D via fotogrametria) e Cicero Moraes (aproximação facial). A reconstrução foi apresentada ao público em 23 de setembro de 2021, teve ampla repercussão na mídia nacional da Armênia, da Rússia, da República Tcheca e recebeu atenção tanto da Embaixada do Brasil em Ierevan, quanto da Embaixada da Armênia no Brasil.
Fracastoro - Ministério da Saúde do Brasil
Ano: 2021-2022
Busto digital (à esquerda), entrada da mostra com o busto em destaque (ao centro) e visualização lateral do busto (à direita).
Local: Paço Imperial, Rio de Janeiro, Brasil.
Período: Novembro de 2021 – Fevereiro de 2022 (Permanente online).
A exposição “Sífilis: História, Ciência e Arte”, organizada pelo Ministério da Saúde do Brasil em parceria com instituições acadêmicas e culturais, foi apresentada no Centro Cultural do Paço Imperial, no Rio de Janeiro. A mostra teve como objetivo apresentar ao público a trajetória histórica da sífilis por meio de uma abordagem interdisciplinar que reuniu documentos históricos, dados epidemiológicos, objetos museológicos e referências artísticas relacionadas à doença. Estruturada em três módulos — histórico, científico e artístico — a exposição buscou ampliar o acesso à informação e estimular reflexões sobre prevenção, diagnóstico e tratamento. A mostra recebeu mais de 15 mil visitantes durante sua exibição presencial e posteriormente passou a contar também com uma versão virtual interativa, permitindo que o conteúdo continuasse acessível ao público online.
Como parte do percurso expositivo, foi desenvolvido um busto tridimensional de Girolamo Fracastoro (1478–1553), médico e polímata italiano que introduziu o termo “sífilis” na literatura médica em seu poema Syphilis sive morbus gallicus (1530). A escultura foi criada a partir da análise comparativa de retratos históricos do autor. O busto foi modelado digitalmente por Cicero Moraes, utilizando software livre de modelagem 3D, e posteriormente produzido por impressão 3D. Após a fabricação, a peça recebeu acabamento artístico e pigmentação realizados pela pintora Mari Bueno, com o objetivo de simular a aparência de uma escultura em bronze. O busto foi posicionado na entrada da exposição como elemento de contextualização histórica para os visitantes. O modelo tridimensional também foi disponibilizado publicamente em regime de ciência aberta na plataforma Wikimedia Commons, permitindo sua reutilização em contextos acadêmicos, museológicos e educativos.
Perak Man
Ano: 2020-2021
A aproximação é usada no site oficial de turismo na região de Perak (acima). Um editorial com o trabalho foi publicado e está disponível no PubMed (abaixo).
O Vale de Lenggong, na Malásia, é reconhecido como Patrimônio Mundial pela UNESCO devido à sua relevância excepcional para o entendimento da ocupação humana no Sudeste Asiático ao longo de dezenas de milhares de anos. Entre os achados mais emblemáticos da região está o Perak Man, datado de aproximadamente 11 mil anos, considerado um dos mais antigos sepultamentos completos já encontrados na região.
A partir de dados derivados de tomografias computadorizadas e da literatura antropológica disponível, Cicero Moraes participou do desenvolvimento da aproximação facial digital do indivíduo, utilizando técnicas de modelagem tridimensional e deformação anatômica em ambiente virtual. O trabalho integrou uma abordagem multidisciplinar, conectando arqueologia, medicina e tecnologia digital.
O estudo foi posteriormente publicado como editorial no periódico Malaysian Journal of Medical Sciences, evidenciando sua inserção no debate científico internacional sobre populações pré-históricas do Sudeste Asiático. A aproximação facial teve ampla repercussão na mídia da Malásia, sendo também comentada no Brasil e outros paises), ampliando seu alcance para além do meio acadêmico.
A reconstrução foi incorporada à divulgação institucional do sítio arqueológico, sendo exibida no portal oficial Tourism Perak Malaysia, contribuindo para a valorização cultural e científica do Vale de Lenggong em âmbito internacional.
Museu Egípcio Rosacruz - Tothmea
Ano: 2019
Cartaz digital da mostra temporária e da comemoeração dos 30 anos, ambos com a reconstrução facial.
Local: Museu Egípcio Rosacruz, Curitiba.
Período: Mostra permanente e eventuais mostras temporárias.
Tothmea é uma múmia egípcia do Terceiro Período Intermediário (circa 2.600–2.700 anos atrás), provavelmente uma servidora ou devota da deusa Ísis, descoberta em uma necrópole de Tebas Ocidental, atual Luxor, Egito. Mumificada com técnicas tradicionais, como remoção de órgãos e enfaixamento, ela foi exumada no século XIX e presenteada em 1885 ao diplomata americano Samuel Sullivan Cox pelo vice-rei egípcio Mohamed Pasha Tewfik. Após ser exibida em museus nos EUA, enfrentou negligência, sendo esquecida em um celeiro e até manipulada por curiosos. Em 1995, foi doada ao Museu Egípcio e Rosacruz em Curitiba, Brasil, onde permanece como a única múmia egípcia original exposta no país. Apesar de danos em seus ossos faciais, Tothmea é um testemunho da rica tradição funerária egípcia e da jornada de artefatos arqueológicos pelo mundo. Após o incêndio no Museu Nacional do Rio de Janeiro em setembro de 2018, que destruiu seis múmias egípcias de corpo inteiro de sua coleção, a múmia Tothmea, tornou-se a única de corpo inteiro preservada no Brasil.
A reconstrução facial de Tothmea, liderada pelo arqueólogo Moacir Elias Santos e efetuada por Cícero Moraes, trouxe nova vida à múmia. Em 2012, usando tomografia computadorizada de 1999, raios-X e fotogrametria, Moraes recriou digitalmente o crânio danificado com ferramentas como Blender 3D, revelando uma mulher de aproximadamente 30-40 anos, com pele morena, olhos escuros e traços delicados. Essa primeira aproximação foi apresentada em eventos como o “Feliz Dia da Múmia”. Em 2019, o projeto “Tothmea+6” refinou a reconstrução, incorporando técnicas mais avançadas para maior precisão e realismo. A nova face, exibida em março no programa “Bom Dia Paraná” da RPC e em visitas guiadas ao museu, destacou uma expressão serena, conectando o público à história egípcia e demonstrando o impacto da tecnologia forense na arqueologia.
D. Pedro I - Museu Histórico Nacional
Ano: 2018
Apresentação do busto no Museu Histórico Nacional. Paulo Knauss e José Luis Lira observam o busto à distância.
No ano de 2018 o Dr. José Luis Lira, professor universitário e escritor brasileiro, organizou um projeto de aproximação facial forense do rosto de D. Pedro. A partir de uma fotografia tirada durante a exumação do imperador em 2013, foi possível, graças à uma reflexão inferior, reconstruir a peça anatômica em 3D. O trabalho foi autorizado pelo tetraneto de D. Pedro I, Bertrand de Orleans e Bragança, que acompanhou o processo avaliando as imagens. Assim que revelada a face, as notícias propagaram-se em vários idiomas, cooperando mundialmente com a popularização da figura histórica.
Poucos meses depois Rodrigo Padula de Oliveira, coordenador de projetos e parcerias da organização Wiki Educação Brasil, organizou um projeto de mostra permanente, junto ao historiador Paulo Knauss, envolvendo o busto do imperador. A impressão foi efetuada pela empresa dOne 3D e a pintura da peça recebeu as cores da artista plástica Mari Bueno. Em outubro de 2018 a mostra foi inaugurada no Museu Histórico Nacional, recebendo significativa cobertura da mídia, em meios como o O Globo e o Jornal Nacional da Rede Globo.
Imago Animi
Ano: 2018
Cartaz, convite e aproximações faciais de hominídeos.
Local: Palazzo Assessorile, Cles, Itália.
Período: De 24 de março a 24 de junho de 2018
A mostra “Imago Animi - Volti dal Passato” foi uma exposição itinerante organizada pelo Museu de Antropologia da Universidade de Pádua (Itália), em colaboração com o Comune di Cles, a Arc-Team e a Associação de Antropólogos Antrocom Onlus, Palazzo Assessorile, um edifício medieval no centro histórico de Cles, na província de Trento. O evento explorava o tema do rosto humano como espelho da diversidade evolutiva, da história e da identidade cultural, dividida em seis seções temáticas: desde “Guardiamo in faccia la diversità umana” (que abordava a evolução dos hominídeos e a árvore genealógica humana) até “I volti dell’anima” (com obras de artistas contemporâneos como James Brown, Luigi Ontani e Omar Galliani). Um dos destaques foram as reconstruções faciais 3D de figuras históricas e ancestrais, incluindo um sacerdote egípcio, Sant’Antonio da Padova, Francesco Petrarca e Bernardo Cles (príncipe-obispo local do século XVI), realizadas pelo designer brasileiro Cícero Moraes em parceria com a equipe curatorial. Essas reconstruções, baseadas em técnicas forenses e software livre, visavam humanizar o passado e fomentar reflexões sobre antropologia e arte, atraindo visitantes para um percurso interativo que misturava ciência, história e expressões artísticas contemporâneas.
Cicero Moraes foi co-curador honorário da mostra, que rendeu uma publicação impressa dividida em capítulos publicados, dentres eles os intitulados Ricostruzione facciale forense: realtà o fantasia?, Lo strano caso del cranio di Francesco Petrarca e Il sorriso perduto di Santa Paolina Visintainer.
Eva de Naharon
Ano: 2018-2026
Cartaz digital criado pelo INAH e pela Secretaria de Cultura do México (à esquerda). Thumbnail do documentário do History Channel sobre Eva de Naharon (à direita acima). Captura de tela de matéria sobre a aproximação facial (à direita, abaixo).
A reconstrução facial de Eva de Naharon foi fruto de uma parceria entre o espeleólogo Octávio del Rio e Cícero Moraes, para o Instituto Nacional de Antropología e Historia (INAH), do governo Mexicano. A apresentação do rosto ocorreu em 2018, através de um release criado pela jornalista Janet Coelho, que rapidamente se converteu em um viral midiático em outlets como o The Daily Mirror, BBC Brasil, National Geographic e outros, chegando a matérias veiculadas em 19 idiomas mundialmente. Os anos se passaram e o material seguiu o seu propósito de comunicação científica, inlcusive sendo assunto de um documentário do History Channel. Em 2026, por exemplo, a imagem ilustrou o material de promoção e tmabém de informação do Primer encuentro internacional de Ciencias Antroplógicas, Ciencias Formales y Nuevas Tecnologías, organizado pelo INAH e pela Secretaria de Cultura do México, evidenciando a importância e simbolismo da imagem para os campos abordados a nível nacional.
Graças à repercussão alcançada, a face de Eva de Naharon instigou a criação de um verbete na Wikipédia e foi adicionada em materiais didáticos como no Livro 1 da coleção Asas, da SAS Educação.
O Sambaqui de 5000 anos
Ano: 2018-2019-2024
Capa de uma publicação do IPHAN, onde a aproximação facial é abordada (acima).
Local: MGEO - Museu de Geociências da Universidade de Brasília (UnB).
Período: Mostra permanente.
O projeto de reconstrução facial do Sambaqui de 5000 anos foi uma iniciativa interdisciplinar que envolveu a o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional do Distrito Federal (IPHAN-DF), o Dr. Everton da Rosa (Cir. Bucomaxilo do Hospital de Base do DF) e o 3D designer Cicero Moraes.
A revelação da face realizou-se na sede do IPHAN-DF no dia 07 de maio de 2018 e contou com significativa repercussão na mídia logal, gerando matérias no G1 DF, TV Justiça e TV Globo DF.
Posteriormente, em 2019, foi inaugurada uma mostra sobre a pré-história no Distrito Federal e Santa Catarina no MGEO - Museu de Geociências da Universidade de Brasília, com destaque para a reconstrução facial, colocada junto ao crânio.
Em 2019 e 2024 (ISBN: 978-85-7334-418-9) o IPHAN-DF publicou a obra intitulada Arqueologia e os primeiros habitantes no Distrito Federal onde a reconstrução facial é apresentada dentro do contexto da interdisciplinaridade na arqueologia.
Flautista de 2000 Anos
Ano: 2018-2020
A) Etapas da aproximação facial. B) Auditório da Unicap completamente cheio, com pessoas acomodadas em pé. C) Participação de representantes do povo originário Fulni-ô em apresentação frente a face aproximada. D) Tela com o processo de aproximação facial rodando em loop ao lado do crânio do Flautista de 2000 anos.
Local: Museu de Arqueologia e Ciências Naturais da UNICAP, Recife-PE, Brasil.
Período: Mostra Permanente.
A reconstrução facial do Flautista de 2000 anos foi um projeto organizado pela Universidade Católica de Pernambuco - Unicap, pelo Cirurgião Plástico Pablo Maricevich e pelo 3D designer Cicero Moraes. Trata-se de um esqueleto encontrado por arqueólogos da Unicap na década de 1980, num local conhecido como Furna do Estrago, no município de Brejo da Madre de Deus, Agreste de Pernambuco. A ossada encontrada junto a uma flauta feita a partir do osso de uma tíbia humana faz parte do acervo do museu, daí o nome dado ao crânio.
A revelação da face realizou-se no auditório da Unicap no dia 24 de abril de 2018. O evento contou com ampla cobertura, tanto regional com o jornal Diário de Pernambuco e a Globo TV regional (Bom dia PE e GRTV 1ª Edição), quanto nacional com o Sputnik. Em relação aos meios acadêmicos, publicaram matéria o site da Universidade Federal de Alagoas (UFAL) e a TV Unicap. A de se destacar que a Prefeitura do Brejo, onde a escavação foi foi efetuada e o crânio encontrado, enviou representantes ao evento. Durante a apresentação pública da face, contou-se também com a participação de representantes do povo originário Fulni-ô, oriundos do interior de Pernambuco. A presença desses representantes teve caráter simbólico e educativo, estabelecendo uma conexão entre o indivíduo arqueológico e as populações indígenas contemporâneas da região, configurando um raro exemplo de integração entre arqueologia, reconstrução facial e representação cultural indígena em contexto museológico.
Posteriormente o rosto reconstruído foi adicionado ao acervo digital do museu (além de oficinas) e passou a ser exibido em uma mídia em vídeo ao lado do crânio (ver no museu virtual). Em 2020 durante o evento online Primavera dos Museus, Cicero Moraes apresentou uma palestra online, oficialmente cadastrada na documentação oficial (pág. 47).
Estátua do Senhor de Sipán em Huaca Rajada
Ano: 2017
Evento de inauguração da estátua.
Local: Museu do Sítio Huaca Rajada, Lambayeque, Peru.
Período: Mostra Permamente
A estátua do Senhor de Sipán, baseada na reconstrução facial e corporal do famoso governante mochica do século III d.C., foi criada pelo designer 3D brasileiro Cícero Moraes e pintada pela artista Mari Bueno, que adicionou detalhes realistas à representação física, impressa em 3D pelo CTI Renato Archer. Inaugurada em 21 de julho de 2017 no Museu de Sitio Huaca Rajada-Sipán, no complexo arqueológico de Huaca Rajada (Lambayeque, Peru), a obra foi revelada durante uma cerimônia especial que contou com a presença do então Ministro da Cultura do Peru, Salvador del Solar, destacando a colaboração internacional em projetos de patrimônio cultural. Essa estátua, baseada no crânio original do Senhor de Sipán (descoberto em 1987 pelo arqueólogo Walter Alva), representa não apenas um avanço técnico em modelagem 3D e escultura, mas também uma ponte entre a arqueologia mochica e o público contemporâneo, integrando-se à exposição permanente do museu ao lado de réplicas de tumbas e artefatos originais, e servindo como um tributo à rica herança pré-colombiana do norte peruano.
E evento teve significativa repercussão nacional e internacional, tendo a estátua ilustrado um documentário do History Channel. Cicero Moraes recebeu um reconhecimento do Governo Regional de Lambayeque pelo trabalho.
Mostra Dama Quatro Tupus
Ano: 2017
Apresentação da face no Ministério da Cultura du Peru e a mostra permanente.
Local: Museu do Sítio Huaca Rajada, Lambayeque, Peru.
Período: Mostra Permamente
A apresentação do rosto da “Dama de los Cuatro Tupus” (ou “Senhora dos Quatro Tupus”), uma mulher de alto status social da civilização Caral datada de cerca de 4.000 anos atrás, ocorreu em 18 de outubro de 2017, durante uma cerimônia no Ministério da Cultura do Peru, em Lima, como parte da comemoração dos 23 anos de pesquisas sobre a civilização Caral. O projeto de reconstrução facial forense foi liderado pelo designer 3D Cícero Moraes, em colaboração com a Universidad Inca Garcilaso de la Vega (UIGV), a Zona Arqueológica Caral e o Ministério da Cultura, utilizando técnicas avançadas de modelagem 3D, tomografia e análise antropológica para recriar o rosto a partir do crânio descoberto em 2016 na Huaca de los Ídolos, em Áspero (distrito de Supe Puerto, Lima). A Dama, que morreu por volta dos 40 anos e foi sepultada com itens de luxo como um colar de contas de Spondylus, quatro prendedores de osso (tupus) com motivos de aves e macacos, e um pingente de mineral aglomerado, foi retratada como uma mulher de traços andinos característicos, com pele morena e cabelos longos, simbolizando o empoderamento feminino na sociedade Caral. O trabalho, que demandou dois meses de esforço multidisciplinar, ganhou ampla repercussão na mídia peruana e internacional, sendo publicado em 22 idiomas, e serviu para humanizar e divulgar a herança da mais antiga civilização das Américas, fomentando debates sobre o papel das mulheres na pré-história andina.
A reconstrução facial passou a ser exibida nas comunicações oficiais da Zona Arqueológica Caral, que criou uma mostra permaente tanto nas instalações físicas do museu, como em uma versão online interativa.
Existiram vampiros em Čelákovice?
Ano: 2016-2017
Foto interna e cartaz da mostra.
Local: Museu Municipal de Čelákovice, República Tcheca.
Período: De 11 novembro de 2016 a 26 fevereiro de 2017.
Em 2016, o Museu Municipal de Čelákovice, na República Tcheca, apresentou a exposição Byli v Čelákovicích upíři? (Existiram vampiros em Čelákovice?), celebrando os 50 anos da escavação de 1966 que revelou um cemitério medieval com supostas práticas anti-vampiro. Um dos destaques foi a reconstrução facial digital de um dos crânios encontrados, realizada pelo designer 3D brasileiro Cícero Moraes em colaboração com a empresa tcheca GEO-CZ, liderada pelo geoinformata Jiří Šindelář. Utilizando técnicas forenses e software livre como o Blender, a reconstrução trouxe à vida o rosto de um possível “vampiro” de Čelákovice, exibido durante a mostra, junto a artefatos e discussões sobre o folclore e a arqueologia da região. O evento teve ampla divulgação internacional, por conta da reconstrução facial, sendo noticiado inclusive pela Embaixada da República Tcheca no Brasil.
Facce da Evoluzione
Ano: 2016
Reconstrução facial do Homo naledi.
Local: Palazzo Ducale, Gênova, Itália.
Período: De 27 de outubro a 9 de novembro.
Em Gênova, cidade natal de Cristóvão Colombo, a exposição Faces da evolução - miremos o rosto dos nossos antepassados! (Facce da evoluzione. Guardiamo in faccia i nostri antenati!) aconteceu no Festival da Ciência. A mostra foi resultado de uma parceria entre o Museu de Antropologia da Universidade de Pádua e o grupo Arc-Team, e apresentou 23 reconstruções faciais de ancestrais humanos feitas pelo designer 3D brasileiro Cícero Moraes. Durante o evento, os visitantes tiveram acesso a vídeos sobre a técnica de reconstrução digital, impressões 3D de crânios de hominídeos e conteúdos de realidade aumentada que mostravam milhões de anos da evolução humana.
Como novidade dentre as reconstruções faciais, figurou o Homo naledi, há pouco descoberto (2015). O trabalho, seguindo o padrão dos demais, foi compartilhado com licença livre e utilizado em diversas matéris de sites, dentre eles Museu de História Natural de Londres, CNN, ScienceAlert e tantos outros, em matérias publicadas em 31 idiomas.
São Vicente de Paulo
Ano: 2016-2022
De cima para baixo: Matéria veiculada no jornal Correio Popular (2016), no sie da FMUSP (2017), O Globo (2022) e Famvin (2022).
O projeto de aproximação facial de São Vicente de Paulo teve início em 2016, a partir da análise de fotografias do crânio obtidas durante a exumação realizada em 1960. O material, sob custódia da DePaul University, foi utilizado com autorização institucional, incluindo aval da Congregação da Missão, ordem religiosa fundada pelo próprio santo, garantindo a legitimidade do uso das imagens no contexto científico .
A partir desses dados, foi desenvolvida a aproximação facial digital por meio de modelagem tridimensional e técnicas de deformação anatômica, com base em parâmetros antropológicos. O projeto contou com a participação de uma equipe multidisciplinar composta por cerca de dez especialistas, incluindo professores e pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP), além de profissionais das áreas de odontologia legal, cirurgia plástica e antropologia forense .
No Brasil, o trabalho teve suporte tecnológico do Centro de Tecnologia da Informação Renato Archer (CTI), em Campinas, responsável pela materialização do busto por meio de impressão 3D de alta precisão, consolidando a integração entre ciência forense e tecnologia aplicada .
O estudo foi publicado em 2022, consolidando anos de desenvolvimento metodológico e colaboração institucional. A reconstrução apresentou alta compatibilidade com a iconografia clássica do santo, especialmente em aspectos estruturais da face, como o perfil nasal e a conformação mandibular, reforçando a consistência entre os dados anatômicos e as representações históricas.
A divulgação do projeto alcançou ampla repercussão, com cobertura de veículos como BBC e O Globo (texto e vídeo), além de destaque em plataformas institucionais como o Vatican News e canais ligados à tradição vicentina (Família Vicentina e DePaulo University). O conjunto evidencia um raro caso de convergência entre validação científica, reconhecimento institucional e difusão midiática.
Santos Peruanos
Ano: 2015-2016
Espaço dedicado às reconstruções faciais forenses e ao lado, materiais promocionais do Museo Santo Domingo, com o trabalho realizado.
Local: Museu Santo Domingo, Lima, Peru.
Período: Mostra Permanente.
O projeto de reconstrução facial forense de Santa Rosa de Lima, São Juan Macías e São Martín de Porres foi uma iniciativa de grande relevância cultural e religiosa, realizada em 2015 na Basílica do Santíssimo Rosário, em Lima, Peru. Sob a coordenação técnica da EBRAFOL - Equipe Brasileira de Antropologia Forense e Odontologia Legal, essas reconstruções foram desenvolvidas com técnicas forenses avançadas, combinando rigor científico e profundo respeito pela memória dos santos. As apresentações das reconstruções ocorreram em eventos solenes nas seguintes datas: Santa Rosa de Lima em 30 de agosto, São Juan Macías em 26 de setembro e São Martín de Porres em 4 de novembro de 2015. Essas atividades não apenas destacaram o legado dos santos, mas também proporcionaram uma oportunidade única de aproximar sua imagem dos fiéis e do público em geral, fortalecendo sua conexão com a história e a fé. O impacto foi tamanho que as imagens passaram a ser relaiconadas diretamente com os santos, sendo vendidas como souvenirs em feiras de artigos religiosos, se convertido em estátuas e estatuetas e até em selo dos Correrios peruanos, em ocasião do quadricentenário do falecimento de Santa Rosa de Lima, em 2017.
As reconstruções faciais dos três santos peruanos integram uma exposição permanente no Museu Santo Domingo, localizado em Lima, Peru. Essa mostra, abrigada em um espaço especialmente dedicado, permite que os visitantes apreciem de perto o trabalho realizado, que une arte, ciência e devoção. A exposição não apenas destaca a qualidade técnica das reconstruções, mas também serve como um espaço de reflexão sobre o legado espiritual e cultural de Santa Rosa de Lima, São Juan Macías e São Martín de Porres, convidando os visitantes a se aprofundarem na vida e obra dessas figuras veneradas.
Giovanni Battista Morgagni - Reconstrução e Mostra
Ano: 2015-2018
Captura de tela do site oficial do Museu Morgagni de Anatomia Patológica com o busto impresso em 3D em destaque (acima) e o artigo publicado sobre a aproximação facial digital (abaixo).
Local: Museu Morgagni de Anatomia Patológica.
Período: Mostra Permanente.
O rosto de Giovanni Battista Morgagni (1682-1771), considerado o pai da anatomia patológica, foi aproximado para apresentação na mostra FACCE, inicialmente em forma de imagem. Além da exibição ao público, o um manuscrito sobtre o trabalho passou por revisão por pares e foi publicado no journal Anthropologischer Anzeiger e atualmente está catalogado no PubMed.
Posteriormente o busto foi impresso em 3D no CTI Renato Archer de Campinas, recebeu uma pigmentação facial pelas mãos da artista plástica Mari Bueno e atualmente a peça faz parte do acervo do Museu Morgagni de Anatomia Patológica, pertencente a Universidade de Pádua. O busto se converteu em destaque do museu, sendo impresso em calendário e figurando na chamada de visita oficial do site.
FACCE - i molti volti della storia humana
Ano: 2015
Abertura da mostra FACCE.
Local: Museu de Antropologia da Universidade de Pádua, Pádua, Itália.
Período: De 14 de feveriro a 14 de junho de 2015, posteirormente prorrogada até 13 de dezembro.
A mostra “FACCE. I molti volti della storia umana”, foi uma exposição open source que explorou a evolução, diversidade e simbolismo do rosto humano por meio de reconstruções faciais forenses em 3D de hominídeos, figuras históricas como Sant’Antonio e Petrarca, e artefatos culturais. Com tecnologias como realidade aumentada e software livre, o projeto colaborativo internacional refutou conceitos racistas, destacou a unidade genética da humanidade e disponibilizou todo o material para replicação, promovendo acessibilidade e pesquisa aberta.
Recebeu significativa cobertura da imprensa, seja a televisionada, via texto online e impressa. A revista ScienceNews, notória no meio científico publicou duas matéria sobre a mostra, uma abrangendo-a globalmente e outra focada na técnica de reconstrução facial, destacando Paranthropus boisei que se tornaria a imagem de hominídos mais propagada e clássica do projeto, figurando em notícias de 21 idiomas, dentre elas em sites como o The Washington Post, BBC, Phys e outros.
Além do aspecto social, midiático e relacionado ao desenovlvimento de novas tecnologias, a mostra também rendeu uma publicação revisada por pares no journal Archeologia e Calcolatori, indexado na Clarivate e Scopus, cujo artigo foi intitulado FACCE. I MOLTI VOLTI DELLA STORIA UMANA. UNA MOSTRA OPEN SOURCE.
Santo Antônio de Pádua
Ano: 2014-2022
Página oficial de Santo Antônio, com o busto impresso em 3D (à esquerda). Matéria veiculada no programa Fantástico (à diretia superior). Artigo revisado por pares e publicado em jorunal da Elsevier (à direita inferior).
A reconstrução facial de Santo Antônio de Pádua foi um projeto idealizado pelo Museu de Antropologia da Universidade de Pádua em parceria com o Centro Studi Antoniani e o grupo de pesquisas Arc-Team da Itália. No Brasil o projeto ainda contou com o apoio do Laboratório de Antropologia e Odontologia Forense (OfLab) da USP, do Centro de Tecnologia da Informação Renato Archer e da artista plástica Mari Bueno.
A apresentação da face se deu no dia 10 de junho de 2014 no Centro Ateneu de Pádua e contou com a presença dos arqueólogos Luca e Alessandro Bezzi (Arc-Team), o Pe. Luciano Bertazzo (Centro Studi), o antropólogo Nicola Carrara (Un. de Pádua) e o 3D designer Cícero Moraes que revelou oficialmente a face.
O trabalho ficou nacionalmente conhecido graças à uma matéria veiculada no programa Fantástico, da Rede Globo, em junho de 2014. Também foi assunto no site do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação. Houve significativa veiculação na mídia italiana e em matérias somando 19 idiomas diferentes. O trabalho foi incorporado ao site oficial de Santo Antônio, com uma seção onde o trabalho de reconstrução facial é abordado.
Em 2022 outra aproximação facial foi efetuada e apresentada em um artigo revisado por pares no journal Digital Applications in Archaeology and Cultural Heritage (DAACH), com o título The 3D digital facial approximation of Saint Anthony of Padua. Tratou-se portanto de uma atualização da técnica, depois de 8 anos de evolução. O trabalho, além do journal, se converteu em um viral internacional, veiculado em, curiosamente 19 idiomas, o mesmo do projeto anterior. A matéria base, que serviu como release para as demais foi publivada no site Live Science, sob o título Saint Anthony of Padua revealed in stunning facial approximation e a partir de lá distribuiu-se para o mundo todo.
Faces da Evolução
Ano: 2013
Reconstrução facial do Turkana Boy, apresentado na mostra.
Local: Museu Egípcio e Rosacruz, Curitiba-PR, Brasil.
Período: De 18 de maio a 30 de julho de 2013.
A mostra foi noticiada no Blendernation, o site de notícias do software Blender 3D. Uma das aproximações faciais efetuadas naquela oportunidade se converteu em uma das imagens mais difundidas de um Australopithecus afarensis em cetenas de notícias publicadas em sites de notícias ou voltados à divugação científica a saber: SciNews, Daily Mail, University College London (UCL), National Geographic e Supersinteressante.
Projeto Taung Child
Ano: 2012
Captura de tela de uma notícia em 2025 com a face de de 2012.
O projeto Taung foi uma colaboração entre a empresa italiana de arqueologia Arc-Team, a associação antropológica Antrocom, o Museu de Antropologia da Universidade de Pádua e o designer Cicero Moraes. A iniciativa envolveu a reconstrução facial de um Australopithecus africanus, conhecido como Taung Child. O processo incluiu a digitalização 3D a partir de fotografias, seguida pela reconstrução facial forense, realizada integralmente com softwares livres, gratuitos e de código aberto.
O projeto foi destaque na VI Conferência Nacional de Blender 3D, em 2012; servindo como base técnica e acadêmica para a fomentação das mostras Faces da Evolução (2013) e FACCE (2015). A imagem resultante, compartilhada sob licença livre, ilustrou um significativo grupo de matérias científicas e didáticas como nos sites: IFLScience, Guia do Estudante (Editora Abril) e National Geographic España.
Uma publicação de 2016, revisada por pares abordou o projeto e sua história.